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. um blog para a cultura .

dannii: "senti muito que precisava de falar sobre este tema"

. "continuo aqui" é o mais recente single de dannii, mas o futuro - próximo - promete muito mais. diz que começou a cantar antes de falar e as suas inspirações são muitas.


vê a entrevista completa no youtube ou no facebook e agora podes também ouvir em podcast.


© be wave

“continuo aqui” é o teu mais recente single. como é que surgiu esta música?


esta música surgiu no ano passado. todas as músicas que eu vou lançar agora este ano, pelo menos nesta metade do ano, surgiram todas no ano passado. foi em conjunto com a vera, que é uma das songwriters da música. começamos a falar, começamos a escrever juntos e a fazer algumas sessões mesmo por facetime, porque ela é de lisboa. em outubro, fui a lisboa, porque na altura trabalhava com uma editora de lisboa, fui ao estúdio deles e levei a vera comigo, porque ela também nunca tinha tido essa experiência de estúdio. foi super interessante porque eu tinha este instrumental e tinha mais ou menos uma ideia daquilo que queria falar. entretanto, começamos a escrever e a música surgiu. foi ali, escrevemos metade da música logo. foi uma coisa super rápida e super fácil de escrever. foi a primeira vez que eu tive uma colaboração a nível de writing. depois foi falar com o produtor, o hugo. queria muito já trabalhar com ele, é uma pessoa com quem eu me identifico muito em estúdio. senti que ele era a pessoa certa para dar tudo o resto que a música precisava para além da letra. 


falaste na mensagem da música… muitas vezes aquilo que as pessoas ouvem não é aquilo que os artistas pensam quando escrevem. o que é que tu pretendias quando escreveste essa música?


sem dúvida. acho que a música também é uma cena interessante, porque permite que as pessoas interpretem à maneira delas. eu posso interpretar de uma forma, tu podes interpretar de outra, e isso é muito mágico. acho que a magia da música é essa. eu senti muito que precisava de falar sobre este tema. não só deste como das músicas que vêm a seguir. ao mesmo tempo, é algo que toda a gente já sentiu ou se relaciona de alguma forma, mesmo que as histórias sejam diferentes. numa primeira fase, eu precisava de falar disso, foi muito esse o motivo pelo qual eu escrevi: preciso de falar disto e acho que vai ser benéfico eu falar porque muita gente se vai identificar. 


como é que tem sido a receção?


incrível. acredita, depois de dois anos sem lançar nada… ainda bem que tive esses dois anos parado porque sinto uma diferença na qualidade, na forma como eu vejo a música, como eu vejo o que acontece no momento em que a música é lançada, na forma como escrevo… estes dois anos serviram muito para me ajudar nesse sentido e para melhorar a escrita, para aprender a produzir também, que é importante e era uma coisa que eu queria muito aprender. 

no dia do lançamento, eu estava muito nervoso, muito nervoso, muito nervoso, a pensar “não vai correr, não vai correr bem”. depois, de repente, a música sai e sabes? a adrenalina sai toda de ti e é do género “okay, já está, agora não posso controlar mais nada”. a única coisa que eu posso controlar é o processo. e isso eu sei que está bem. e sei que foi feito com amor e todas as pessoas que estão envolvidas se dedicaram ao máximo. 

agora é continuar sempre na luta, porque acho que o importante é a consistência. gosto de sonhar alto, gosto de meter mesmo os objetivos lá em cima.


como é que descobriste o bichinho da música?


a minha mãe costuma dizer que eu já cantava antes de falar. que eu já nasci a cantar. é assim que ele costuma dizer. comecei a cantar antes mesmo de começar a falar e depois, aos seis anos, o meu avô ofereceu-me uma guitarra. acho que isto é um bocadinho cliché, mas acaba por ser mágico. aos nove comecei a compor, muito cedo. a minha primeira música está no youtube, inclusive. comecei a fazer música e sempre soube que queria fazer música. nunca, nunca houve hipótese de fazer outra coisa qualquer.

em 2015, comecei a trabalhar mais a sério em originais. em 2018, lancei o meu primeiro original em inglês - que já não está disponível nas plataformas -. chamava-se “girl of my dreams”. foi para uma rapariga que andava na altura. se me perguntares a letra, não faço ideia. acho que o inglês é, não diria que é mais fácil escrever, mas é mais fácil tu chegares a um resultado final que seja “gostável”. o inglês é muito mais generalista.

em 2020, quando rebenta a pandemia, eu pensei “agora tenho que estudar produção”.

há ali algumas fases em que pensas: “tenho que arranjar um plano b”. mas o plano b é realizar o plano a.


estávamos a falar, antes da entrevista, sobre fazer vídeos para o tiktok, instagram… achas que as plataformas digitais vieram ajudar os artistas emergentes? 


acho que sim, mas é meio meio. acho que há muito mais possibilidades… todas estas ferramentas que hoje em dia os artistas independentes têm para crescer - e não só. os que já estão afirmados no mercado -. estas ferramentas são muito importantes porque nos permitem criar conteúdo para dar a conhecer a outro público. diria que neste momento, se calhar, o tiktok é aquela rede social que é o boom. facilmente chegas a muitas partes do mundo. acho que é uma grande ajuda. agora, também acho que hoje em dia os artistas independentes focam-se muito - e fala um bocadinho contra mim - nos números. tenho-me desligado um bocadinho dessa parte. foco-me em fazer conteúdo de qualidade e não estar preocupado em chegar às trinta mil visualizações. tudo o que tu podes controlar é o processo e a forma como tu vais entregar aquilo às pessoas e eu sei que o meu trabalho tem qualidade ainda que haja pessoas que não gostem.

vi uma entrevista da marisa liz e ela dizia “não interessa para quantas pessoas tu estás a atuar, o teu amor tem ser igual. o teu amor por aquilo que estás a fazer tem que ser igual a atuar para 20, para 200, para 200000”. ouvi aquilo e bateu-me aquilo. claro que nós queremos encher pavilhões, queremos encher salas. somos artistas e queremos que mais pessoas conheçam o nosso trabalho, mas temos que estar lá para 10, para 15, para 20, o que seja. nunca se sabe quem é que vai estar a ver e a ouvir. 


é fácil dar o salto e sair assim de uma cidade que não é um grande centro e chegar longe? 


não é fácil, tem que haver muito trabalho, muita consistência, muito foco. estarmos completamente focados. há obstáculos, como em tudo, e há pessoas que vão dizer “não vales nada daquilo que estás a fazer”, “não vais ganhar um cêntimo”. 

mas não, não é fácil sair, neste caso, de bragança. tinha lá todos os meus amigos, mas na idade em que eu saí também foi importante ter saído.


para terminar, perguntava quais é que são os planos para 2023, que dizes que é “o ano”.


digo que é o ano, sim [risos]. planos para 2023, muita música, muitos concertos, estou a preparar uma tour para este ano. vou estar dia 24 de junho na fnac em coimbra, para fazer um showcase. 

se quiserem ouvir o que é que vou lançar a seguir, vão ao meu perfil do tiktok porque muitas das músicas escrevi para desafios.

continuar a fazer as coisas com muito amor e muita dedicação, que para mim é primordial: fazer aquilo que gostamos, com a qualidade que nós queremos e, principalmente, com as pessoas certas. 


vê aqui:


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