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carolina de deus tem um futuro feliz, mesmo que o escreva com músicas tristes

foi com um "pensamento" que carolina de deus se apresentou no teatro municipal de vila do conde. "ter-te aqui a meu lado, no ombro encostado, foi sempre o que quis" - foram as primeiras palavras que ouvimos da sua boca e a certeza era uma: muitas pessoas estavam assim, ali, naquela noite.


© joana meneses / be wave

carolina de deus tem o alinhamento certo para cativar o público para quem tem um álbum e a consciência de que nem todas as suas músicas chegaram a toda a gente. "querido futuro namorado" aparece cedo, mas na altura perfeita para que a acompanhem.


tímida, começava a seguir os seus próprios conselhos: "deixa-te levar. é só deixar. para quê complicar?". deixou sempre um "obrigada" no final de cada canção e cantou a música que tem com joão só, "volta que eu aguento", e "despedida de solteira", de bárbara tinoco.


sentada no chão, falou do seu próximo álbum e de um dos temas, "três e meia", que fala de um tema que considera muito importante, a saúde mental. "vou falar-vos daqueles períodos mais difíceis, em que a motivação é muito pouca e a tristeza é imensa"


também "peça de teatro", que se seguiu, estará no próximo álbum. é sobre quando "amamos uma pessoa e a queremos ver feliz, mas não é bom para nós fazer da nossa vida uma peça de teatro e tentarmos ser aquilo que não somos para vermos essa pessoa feliz. mais vale deixá-la ir", contou.


© joana meneses / be wave

"às voltas com tanto a dizer", carolina de deus continuou este concerto a ensinar-nos francês, mesmo antes de "talvez", a sua primeira música, lançada em 2022.


"a coisa correu logo muito bem", recordou questionando "mas e depois? o que é que acontece depois?". isso, confessou, foi "o mais complicado". lançou "talvez", "querido futuro namorado", "seria estúpido ligar-te" e começou a receber "algumas críticas de pessoas que diziam que já estava na hora de lançar músicas mais felizes". mas "não conseguia" e acabou a questionar a sua própria felicidade e a pensar "estás a fazer aquilo que mais gostas, conseguiste parar de estudar direito [risos], estás numa agência incrível, por que é que continuas a escrever músicas tristes?", lembrou desabafando: "comecei a duvidar da pressão, da indústria, a pensar que talvez era eu que pensava que vocês iam gostar mais de mim assim, como uma miúda que sofre". e foi mais ou menos assim que nasceu a música que interpretou depois, provisoriamente chamada "talvez pare depois".


com um jogo de luzes que nos fez manter os olhos fixos no palco, carolina de deus conseguiu pôr vila do conde a cantar em uníssono com "seria estúpido ligar-te" e já se ouviram algumas vozes no seu mais recente single, "modo auto piloto", que enfrenta o medo de falhar e nos leva às "feridas da menina do liceu".


e antes do final, com "dores de crescimento", trouxe-nos um poema de florbela espanca, "o maior bem", que apresentou pela primeira vez ao vivo. voltou para terminar "como deve ser", com um aplauso de pé e com a certeza de um futuro brilhante.



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