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be wave.

. um blog para a cultura .

irma: "acho que é muito mais fácil um homem cantor envelhecer na carreira do que uma mulher"

. entra nas nossas casas pela televisão, enquanto atriz, mas foi essencialmente como cantora que esteve à conversa com a be wave.


© be wave

recentemente partilhaste no teu instagram a tua introdução dos teus concertos. continua a ser difícil ser mulher hoje em dia?

acho que sim. está cada vez melhor. acho que nós estamos a caminhar com passinhos pequeninos, estamos a fazer um bom trabalho, mas ainda é difícil. ainda há lá comentários assim marados.


e no mundo da arte?

acho que, por exemplo, é muito mais difícil para uma mulher cantora envelhecer do que para um homem. o homem fica charmoso, a mulher perde perde sensualidade e perde sex appeal. acho que é muito mais fácil um homem cantor envelhecer na carreira do que uma mulher.


nesse sentido, que mensagem é que gostavas de passar?

acho que é muito fixe agregar, os artistas mais novos trabalharem com artistas mais velhos. primeiro, porque aprendem coisas. depois, porque também aproximam e agregam. essa coisa de envelhecer tem que ser mais cool para as mulheres. para os homens é muito cool envelhecer e para as mulheres não. isso faz-me alguma confusão.


és atriz, és cantora... como é que se concilia tanta coisa.

não se concilia. tem que se dar foco a uma coisa e eu sei que eu estou 100% na música. claro que às vezes há projetos que eu quero aceitar como atriz, são coisas sempre muito específicas, coisas que eu sei que vou gostar, que eu sei que vou ser feliz. aí consigo considerar primeiro porque tenho uma equipa brutal e depois porque... aceito coisas porque amo fazer aquilo e são sempre coisas muito pontuais. mas eu acho que tive que me focar 100% na música porque me é urgente e porque é preciso mesmo foco a 100%.


fizeste-o por opção, mas algumas vez sentiste alguma pressão externa?

não. fiz porque é urgente. eepois claro que sei que não é viável estar dividida. a certa altura há uma parte que começa a enfraquecer. mas eu fiz porque era urgente, porque me saía das entranhas. acho que é muito fixe a vontade de ser baliza na vida. mais do que estratégia, é o que é que eu quero e a partir daí vai tudo. a partir daí as coisas correm como devem correr.


como é que descobriste o bichinho da música?

canto desde sempre. aos 13 anos recebi uma guitarra que era da minha mãe e comecei a tocar. e eu sempre cantei, mesmo quando era atriz. para o pública eu era atriz, mas eu andava a tocar em bares para ganhar uns trocos. sempre toquei, não foi uma coisa que eu descobri. depois claro que tudo que estava guardado eu comecei a querer mostrar ao mundo.


em 2009 participaste num concurso de talentos...

o ídolos trouxe-me um bocadinho de pânico. eu era muito novinha. acho os concursos sempre muito ingratos. quem é que decide o que é que é bom e o que é mau? é como dizeres qual é a cor mais fixe do mundo. não existe, depende do teu gosto. os timbres é a mesma coisa. e aquilo é muita pressão


há espaço para toda a gente?

sim... quer dizer, nem toda a gente canta bem, como é óbvio. mas um concurso é sempre uma coisa muito ingrata. que é que é o melhor? sei lá. depende de quem está a ouvir. o meu road manager adora hardcore, eu odeio. vou vou dizer o quê? que aquilo é mau? não. ele gosta e aquilo é bom para ele. para mim é que não é.


como é que é o teu processo criativo?

o meu processo criativo do "primavera" para o "filha da tuga" foi totalmente diferente. "primavera" foram canções que eu escrevi, comigo, sozinha, à guitarra e depois levei para estúdio. o "filha da tuga" foi muito mais em grupo. convidei muita gente para trabalhar comigo e foi uma coisa mais... que eu adoro, na verdade. eu gosto de compor sozinha, mas eu também gosto de trabalhar muito em conjunto. costumo sempre dizer isso, gosto imenso desta coisa de sozinha vou rápido mas em grupo vou mais longe. acho mesmo isso, acredito mesmo isso. sinto que tenho uma boa equipa à minha volta, tenho bons amigos. tenho mesmo muita sorte. então eu sinto que eu nunca vou conseguir fazer isto sem ter estas balizas que eles são para mim.


o processo criativo depende. por exemplo, no último mês e meio... nunca compus tanto como estou a compor agora e é um processo muito solitário, é um processo muito sozinho. gosto disso e preciso disso. depois agarrei no joão lourenço, que é o meu guitarrista, e 'bora fazer este som, 'bora fazer este som com o agir... acho que parte muito de descobrir o que é que eu gosto e o que é que eu quero e ter muita visão. imagino sempre como é que vai ser o final, como é que vai ser no palco. eu às vezes faço um som e começo a imaginar-me no palco a cantar para as pessoas. o que é que eu vou pedir, como é que eu me vou mexer, o que é que vou dizer... é tipo aquela que ensaia a entrega do óscar, sabes? sou essa.


gostas mais de estar em estúdio ou preferes o palco?

palco, palco.


e como é que tem sido a receção das pessoas?

acho que boa. ontem toquei aqui perto e havia malta a dizer "fogo, é muito mais fixe ao vivo". e é muito fixe ouvir isso.


como é que se pensa um concerto?

experimenta-se. já percebi que é tipo... eu tenho uma visão sempre do que é que quero, mas depois há coisas que eu levo para palco e vou experimentando. depois também não sabes, né? estás a ouvir aquilo há tanto tempo que depois também não sabes como é que resulta. então tens uma ideia e depois levas para palco e depois vês o que é que resulta, o que é que não resulta...


em que é que te inspiras para escrever?

inspiro-me mais nas histórias dos outros do que nas minhas histórias. também falo muito sobre mim. quando estou a sofrer componho muito mais, como é óbvio. quanto estou na dificuldade escrevo muito mais. quando estou bem não escrevo tanto. mas também me inspiro muito na história das pessoas e em coisas que me contam. por isso é que a pandemia foi tão frustrante, porque não ver pessoas foi não ter matéria prima.



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