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entramos no "círculo" de mariana dalot e temos o consolo perfeito para todos os dias

"círculo", o primeiro álbum da mariana dalot, está cá fora. já tínhamos tido a oportunidade de a ouvir e agora já pode tocar nas casas de todos os portugueses.

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com 25 anos, a cantautora bracarense apresenta doze canções que nos revelam um bocadinho mais sobre si. na sua apresentação, está bem explícito que "nunca pensou em ser cantora, mas sabia que adorava cantar. cresce a ouvir música clássica e artistas pop americanos e sempre quis viver lá fora". porém, é em português que se dá a conhecer.


"círculo" é um álbum sentimental, que nasce da vida de mariana e da emotividade como canta o amor e a saudade, a tristeza e a esperança, a fuga e o consolo, a dúvida e o silêncio, a superação e as "as coisas simples que movem o mundo".


são precisamente essas "coisas simples" que abrem o álbum e nos levam a desvendar tudo aquilo que ocupa um espacinho no coração de mariana. a partir de uma lista que escreveu sobre as "coisas simples da vida" nasce, assim, uma excelente forma de dar as boas vindas a quem a quiser escutar.


com uma história a começar e ainda "por traçar", mariana leva-nos a "um lugar" e faz-nos acreditar que há pessoas que são lugares - "sempre foste aquilo que eu precisei, sempre me acalmaste quando eu quase foquei, sempre me guardaste no teu coração, sempre foste abrigo em cada canção" -.


"juntos" é um convite e um lembrete para que nunca nos esqueçamos daquilo que temos e de quem só quer o nosso bem. o caminho perfeito para "consolo", a quarta música de "círculo". uma canção despida e que nos faz acreditar que temos a cantora junto a nós, a sussurrar ao nosso ouvido: "vejo nos teus olhos, que brilham como lua, a lágrima que quer cair". quando as palavras faltam para consolar alguém, é na música que encontramos colo.


são aquelas pessoas a quem o convite para o "café" é feito várias vezes que servem de inspiração para a quinta música do álbum. afinal, é muitas vezes um café que nos dá o abraço que precisamos, mesmo quando não estamos à sua espera. segue-se "tanta coisa" com todos os segredos que queríamos que o outro soubesse - "gosto da tua simplicidade, da maneira como vives em paz. gosto da tua bondade, da maneira como sabes que és capaz" -.


é a correr, mas sem saber para onde ir, com "fugir", que começa a segunda metade do álbum. e fugimos, sem saber de quê nem de quem, para o perto do silêncio que, muitas vezes, é "o medo de falhar". "moro no silêncio" traz-nos uma mariana que também se esconde e sofre sem ninguém saber, mas que se mostra ao mundo como ela própria é.


no terceiro single que antecipou o álbum, há uma mariana mais solta e um ritmo que nos faz bater o pé. lembra-nos das "saudades que não se explicam" e que "não se cantam" sempre que o mundo pára e o tempo "só pede para respirar". uma canção introspetiva sobre a importância das relações familiares, de amor e de amizade, que muitas vezes tomamos por garantidas e que só realmente valorizamos quando delas somos privados.


quase como que a convidar-nos para uma dança, "e eu de ti" leva-nos às nossas memórias mais bonitas. pode levar-nos às mais tristes também. e é nesse caminho que mariana dalot nos deixa entrar nos seus "dias tristes" e nos mostra como é o vento em contramão. garantimos aqui: não é um dia perdido se a ouvirmos.


a artista fecha o álbum com "no final", uma canção escrita num avião, ainda em 2019. "uma carta a mim própria, como uma forma de me relembrar que, às vezes, quando as coisas não correm bem ou quando a vida parece toda do avesso, há sempre qualquer coisa ao final do dia que nos faz continuar em frente", apresentou a própria. a música que encerra "círculo" é "sobre essa esperança de continuar a viver, a lutar pelo que queremos e, quando não houver forças, agarrarmo-nos às pessoas que nos seguram".


mariana dalot apresentou-se com doze canções, 100% em português. abriu-nos as portas do seu coração e deixou-nos entrar no seu diário aqui cantado. e se ela nos convida para um café, nós convidamos todos aqueles que aqui chegaram para entrarem no círculo e ouvirem o seu primeiro álbum. um bom consolo para os dias de chuva - mais ou menos felizes - que se aproximam.














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