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"ensaio técnico": até onde pode alguém ir enquanto artista?

a experiência austríaca, o regresso a portugal, a cumplicidade e a desagregação, a competição e a maledicência. uma descoberta de verdade da vida e da arte. é com estas palavras que o teatro oficina apresenta a sua mais recente criação, a primeira de mickaël de oliveira em guimarães, "ensaio técnico".


© cláudia crespo/be wave

em palco, beatriz wellenkamp carretas, joana pialgata, siobhan fernandes e zé ribeiro falam com o público e, ficcionalmente, regressam a setembro de 2020. durante os últimos três anos estiveram fechados num complexo, em residência artística. vieram de um estágio na áustria, dedicado à performance, quando decidiram criar esta estrutura em artes performativas.

são eles próprios quem nos contam a sua história, explicam o projeto e falam da vida em comunidade. "vamos perceber como é que a nível humano as coisas se relacionavam", acredita o encenador. quase como se de uma conferência se tratasse. partilham com o público, aliás, livros que utilizaram na criação desta "apresentação final" que funciona, também, como homenagem a joão, um outro performance que teria perdido a vida.


recordam-no, aliás, como o líder e o mais radical do grupo. terá morrido depois de um ensaio técnico no qual procurava executar uma performance fisicamente mais audaz.


percebe-se, então, algumas das intenções da peça. questões como "como representar?", "o que é representar?", "o que é legítimo representar?" ou "até onde podemos ir enquanto artistas na nossa prática?" não são respondidas, mas são levantadas.


os limites entre o público e a performance acabam por se dissolver e até propostas aos espectadores são feitas. explicam "quais foram os contextos que eles utilizaram para trabalhar e há uma ideia geral de performance contínua e aberta", conta mickaël de oliveira. "é uma performance muito livre, que não precisa de nada, de um contexto artístico e institucional. precisa da autodeterminação do artista", adianta.


esta questão é também falada durante a primeira parte do espetáculo. terá sido isso que norteou as personagens na sua passagem pela áustria e que os influenciou no presente. já numa segunda parte, o público é convidado a permanecer sentado enquanto vê um filme gravado em direto que "propõe outra ficção à volta daquilo que o grupo estava a falar". a relação entre as partes, acredita o encenador, cabe a cada um encontrar.


uma criação coletiva


à comunicação social, mickaël de oliveira explicou que, como em quase todos os projetos a que se dedica, não levou texto consigo. chegou com um plano e uma ideia, mas escreveu o texto apenas depois da primeira fase de ensaios.


foi, por isso, "um processo muito feito em colaboração com toda a gente: elenco, equipa técnica, artística, criativa e produção". "o teatro é, felizmente, uma arte coletiva, e é preciso defendê-la", disse em jeito de desabafo.


"ensaio técnico" será apresenta de 4 a 7 de outubro, no espaço oficina, na avenida d. joão iv, em guimarães.

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