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carolina deslandes no teatro "mais bonito do país"

num concerto naquele que considera ser o "teatro mais bonito do país", carolina deslandes provou, uma vez mais, o porquê de ser uma das cantoras mais completas da sua geração. um hino à música - e à música portuguesa -, à amizade e às lutas que deviam ser de todos.


© be wave

numa indústria cheia de guerras - e rumores -, a cantora não esteve nunca sozinha em palco e fez questão de partilhar aquele que foi o penúltimo concerto da tour com algumas das pessoas que mais gosta. quem abriu o seu espetáculo foi mariana dalot que, a jogar em casa, foi apresentada como sendo um "elemento unificador" no grupo de carolina deslandes. e porque "amor com amor se paga", deu a oportunidade à amiga de atuar no theatro circo. carolina não sabia, mas mariana dalot confessou que aquela sala a viu crescer. e, verdade seja dita, tivemos a sorte de presenciar um dos primeiros de muitos segredos que mariana parece sussurrar aos nossos ouvidos quando canta.


o ep "mulher", dedicado a todas as mulheres que sofrem de violência doméstica, trouxe carolina deslandes a palco. ainda que haja quem acredite que tudo seja apenas uma "tempestade num copo de água", a artista não cala a sua opinião e garante fazer sempre o que lhe apetece. com o grito que devia ser de todos, "não me importo" pôs o theatro circo a cantar.


lembrando a noite dos globos de ouro, que "não é sobre o que cada um veste, sobre a vida pessoal de ninguém, nem sobre o aspeto de ninguém. é sobre feitos", interpretou "vergonha na cara".


carolina deslandes abriu-nos a porta de casa e deixou-nos entrar sem nos pedir nada em troca. "este foi o ano mais feliz e cansativo", admitiu, mas sempre que saía de casa, ia para outra, o palco.


confessando que "a miúda gosta" foi uma música que ofereceu ao antónio zambujo e depois pediu de volta para o seu ábum "casa", começou a segunda parte da viagem do concerto. seguiu-se "não me deixes", a música que gravou com maro, em 2017, e, num momento muito emotivo, apresentou ao theatro circo o seu avô, a inspiração para "nuvem".


num avião de papel, daqueles das cartas de amor, a cantora levou-nos até ao dia em que apresentou esta música a rui veloso. o cão, o vinho, os globos de ouro, os agradecimentos. uma história que nos leva a voar quando o mundo é cruel. é depois que entra bárbara tinoco, para interpretar "adeus amor adeus", com a melhor amiga.


só com feodor à guitarra, o mais recente single de carolina deslandes, "vai lá", foi cantado em uníssono com a plateia. deixando claro que não vale a pena relacionar a canção com a sua própria vida, lembrou que "já toda a gente foi chamada de louca numa relação". e que hino, que mensagem.


"a carolina é como pôr mais um prato na mesa, é família"


rita rocha subiu a palco para cantar "mais ou menos isto" com aquela que foi a sua mentora no the voice kids e agradeceu-lhe por ser "família" e ser sinónimo de "como pôr mais um prato na mesa". apresentou a braga, depois, uma música que fará parte do seu disco. chama-se "planos" e fala de uma relação que "um dia vai ser só uma piada, uma história mal contada". com apenas 15 anos, rita rocha mostra que "crescer é mesmo assim" e que a "vida tem outros planos".


a última convidada da tarde, que também apresentou uma nova música, começou por cantar com carolina deslandes o single "lugar certo". "ainda me lembro das frases, ainda me lembro, não pares, não pares, não", encheu o theatro circo.


com a promessa de que "até ao fim do ano temos disco(s)", carolina deslandes interpretou "paz" e "precipíos", músicas que farão parte do futuro da artista e que, no caso da segunda, conta com a colaboração de carlão. "tudo é mais incrível com bons colegas", lembrou. no meio, no silêncio, fez-se um grito.


frisando que "a maior função da arte é fazer com que nunca nos sintamos sozinhos", apresentou "por um triz", a música que levou ao festival de canção e que a fez perceber que o seu "maior colo" é o público. terminou com "não é verdade, mas com a certeza de que tudo aquilo que viveu ao longo deste ano é verdade.


"a por um triz é uma canção que celebra os quases desta vida, que faz dos vencedores aqueles que tentam e não necessariamente aqueles que ganham. porque, andamos todos aqui a aprender, a perder, a ganhar, a sofrer, e voltarmos a tentar, predispormo-nos a tentar, a amar o outro, crescer com o outro, é ganhar. sempre"


o encore levou-nos ao passado com "a vida toda" e "mountains", músicas que marcaram a carreira da artista e o agradecimento e a saída de palco não podia ser mais caraterístico: a banda sonora de harry potter.

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