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"atlas da boca" é esperança, carinho, compreensão e cura

gaya de medeiros regressou a guimarães, depois de ali ter apresentado "baque", para apresentar um espetáculo que lhe é anterior: "atlas da boca". veio, uma vez mais, falar-nos a verdade - e sobre verdade também -.


© paulo pacheco

"é uma investigação de dois corpos trans acerca da boca como ponto de união entre a palavra, a identidade e a voz, o público e o privado, o erotismo e a política", lê-se na sinopse. já estamos habituados à verdade que a bailarina utiliza sempre nos seus espetáculos. e não houve diferença nenhuma aqui. gaya de medeiros e ary zara contam a história deles através da dança e da palavra falada também.


e há amor e ternura em cada detalhe dos movimentos. quase como se segredos nos fossem contados e nos envolvessem de tal maneira que parece que há magia no ar. a tranquilidade com que nos são contadas histórias pessoais e com que se dança, às vezes ao som do silêncio, deixa-nos presos àquele momento. há cumplicidade entre gaya e ary, mas também com o público - que aplaudiu como ainda não se tinha aplaudido neste guidance -. há intimidade, e uma intimidade bonita: despida de preconceitos, que tem tanto de força como de frágil.


às vezes não são precisos movimentos gigantes para se ser gigante. gaya e ary encheram a sala com situações do quotidiano também. e isso diz tanto sobre "atlas da boca". talvez seja uma dose de esperança, carinho, compreensão e cura para alguns dos que assistem à peça.


na véspera do seu espetáculo, alguns alunos da escola secundária francisco de holanda tiveram a oportunidade de falar com gaya. foi uma conversa bonita e simples. como todas as coisas da vida deveriam ser. emocional e emocionante, também.


foi, na verdade, uma conversa em que muito pouco se falou de "atlas da boca", mas uma conversa que, ao mesmo tempo, nos levou a conhecer esse "atlas da boca" e que a boca não serve só para falar.








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