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a humanidade dança em guimarães de 1 a 10 de fevereiro

o guidance – festival internacional de dança contemporânea regressa a guimarães de 1 a 10 de fevereiro. "através do corpo, e num mundo que se deseja mais tolerante e empático", proporciona uma viagem por outras culturas e identidades. a edição de 2024 propõe, assim, "uma experiência sensorial, imersiva e transformadora, cuja força criadora e misteriosa nos apela a fazer parte da sua existência".


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serão dez espetáculos e atividades paralelas em vários palcos da cidade de guimarães como o centro cultural vila flor (ccvf), o centro internacional das artes josé de guimarães (ciajg) e o teatro jordão. para rui torrinha, responsável pela direção artística do guidance, esta 13ª edição vai procurar "exercitar uma vivência tão larga quanto possível, respirada pelo ar dos tempos que atravessamos".


victor hugo pontes abre o festival com o resultado de um convite endereçado ao mesmo pelos estúdios victor córdon e pelo camões - centro cultural português em maputo. a celebrar 20 anos de carreira, o coreógrafo utiliza a linguagem universal da dança para criar pontes entre portugal e moçambique com "bantu", que reúne um elenco de bailarinos portugueses e moçambicanos.


a 2 de fevereiro, "time and space: the marrabenta solos", de panaibra gabriel canda, explora uma crise de identidade, desconstruindo representações culturais de um corpo africano puro, em particular o corpo moçambicano. o corpo e a dança de panaibra canda refletem a fragmentação do país, as biografias, os anseios – tornados visíveis com gestos mínimos e assustadores. o solo é ainda acompanhado pelo guitarrista jorge domingos que explora a música marrabenta nascida na década de 1950 a partir de uma mistura de influências moçambicanas e europeias.


"boca fala tropa", de gio lourenço, convida-nos, no dia seguinte, a um itinerário biográfico onde o corpo se torna uma alegoria da memória, a partir de um corpo a vários tempos e tendo como base os movimentos do kuduro, que surge nos anos 90, em luanda, no contexto de uma guerra civil. propõe, assim, um território artístico deslocado de uma geografia concreta – o trânsito entre angola e portugal – partindo dos passos e dos códigos do Kuduro para cruzar elementos da memória individual, e as suas inevitáveis ficções, com elementos da memória coletiva.


numa ode contemporânea à mudança, no mesmo dia, é, apresentada pela primeira vez em portugal, "universe: a dark crystal odyssey",de wayne-mcgregor. é uma meditação comovente e surpreendente sobre a crise climática, inspirado no clássico de culto de jim henson sobre um planeta doente e uma raça dividida. cenários digitais de tirar o fôlego e figurinos de última geração criam uma fusão impressionante de fantasia e documentário, e a coreografia em diálogo com a palavra falada evoca poderosamente a inseparabilidade da humanidade e da natureza.


quando chegarmos a ".g rito", da criadora e intérprete piny, a 7 de fevereiro, vamos aperceber-nos como a nossa ancestralidade é futuro e presente, existindo uma anulação do tempo linear, do espaço concreto, num grito dado numa narrativa desalinhada mas precisa. sem geografia mas com as geografias das histórias das intérpretes e cocriadoras deste espetáculo, cujos corpos são políticos, celebram, desejam, revoltam-se, amam-se, protestam.


gaya de medeiros regressa a este festival, no dia 8, com "atlas da boca", com atuação e cocriação de ary zara. é uma investigação de dois corpos trans sobre a boca como ponto de união entre a palavra, a identidade e a voz, o público e o privado, o erotismo e a política. discute, dessa forma, através da dança, esse espaço simbólico capaz de estabelecer novas narrativas, explorando os verbetes que se abrem da boca para fora e que se leem da boca para dentro.


na segunda sexta-feira do festival, coreografada e interpretada por yeu-kwn Wang, fundador da shimmering production, a criação "beings" sobe a palco. um espetáculo que encontra inspiração no caractere chinês "人" (pessoa) e explora os laços entre as duas pinceladas que suportam a caligrafia, entre os dois intérpretes intimamente ligados, entre o papel de arroz e a tinta. liga profundamente os seus dois intérpretes num dueto emocionante que culmina numa reviravolta inesperada.


a criação nacional encaminha holofotes para a artista diana niepce e o seu espetáculo "anda, diana", na tarde de 10 de fevereiro. bailarina, coreógrafa, escritora, e também professora, retrata a reconstrução do seu eu depois de uma queda na qual ficou com uma lesão medular, num diálogo honesto entre corpo e mente, entre lógica e caos, até construir o corpo que dança. transforma o corpo num instrumento de revolução, questionando a norma, desafiando preconceitos e ideias através da criação de novos padrões de valores estéticos, obrigando-nos a questionar sobre o que está para além da dança, para além do corpo.


em 1874, as forças japonesas atacaram as comunidades indígenas no sul de taiwan devido ao incidente da baía de ba yao. este incidente, conhecido como o incidente mudan de 1987, foi o primeiro ataque militar japonês a um país estrangeiro desde a restauração meiji, e a primeira guerra envolvendo forças estrangeiras na história contemporânea de taiwan. "m "bulabulay mun?", que fecha a edição de 2024 do guidance, os tjimur dance theatre reconstroem esta batalha histórica que foi esquecida com o passar do tempo.


no âmbito da programação de educação e mediação cultural, beatriz valentim traz ao guidance o espetáculo "o que é um problema", a 4 de fevereiro, dedicado ao público juvenil. começamos no vazio, onde existe um problema por resolver, e partimos à descoberta num caminho que se adivinha complexo e desafiante. encontram-se problemas no próprio corpo e nas suas limitações: como lidar com esses limites, contornando e encontrando alternativas? que caminho percorremos para resolver o problema na arquitetura do nosso corpo como metáfora para o problema geral? o corpo, curioso e perspicaz, procura e dá a mão a um percurso prestes a ser descoberto através do movimento, da construção, do desenho e dos sons. procura-se, constantemente, ativar as respostas físicas, sensoriais e emocionais, para ultrapassar os problemas e encontrar as soluções (ou não). 


vê a programação completa aqui.



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